s.XVIII (1º mitad)Senhora de clase alta dança e toca castanholas.
Telha
Foto: Luzia Rocha
A tradição da telha em Portugal constitui um dos traços mais característicos da sua cultura visual. Introduzida no final da Idade Média sob influência hispano-muçulmana, esta técnica cerâmica adquiriu um desenvolvimento próprio a partir do século XVII, quando os painéis narrativos em azul e branco, inspirados na porcelana chinesa e nas gravuras europeias, começaram a decorar palácios, igrejas e residências urbanas. Durante o século XVIII, a azulejaria alcançou grande difusão e converteu-se num meio particularmente adequado para representar cenas da vida quotidiana, episódios históricos ou motivos galantes, combinando uma linguagem artística refinada com uma função ornamental.
O azulejo da imagem, datável da primeira metade do século XVIII, apresenta a figura de uma dama de classe alta que dança enquanto toca castanholas. A composição é simples e frontal: a figura feminina surge isolada no centro do painel, vestida com um traje elegante de mangas amplas e saia longa, característico da moda aristocrática da época. A paisagem apenas sugerida ao fundo reforça o carácter cénico da figura, que parece ocupar um espaço aberto destinado ao lazer e ao entretenimento.
É particularmente significativa a presença das castanholas, que a dama segura com naturalidade em ambas as mãos. A sua inclusão sugere que este instrumento não estava limitado apenas a contextos populares ou festivos, mas que também fazia parte do repertório lúdico dos ambientes mais acomodados. Na iconografia do século XVIII, a mulher tocando castanholas surge com frequência associada à dança e à sociabilidade cortesã ou burguesa, onde a música e a dança constituíam elementos essenciais da vida social.
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Foto: Rocha, Luzia Aurora
Instrumentos musicais em representações individuais de música e de música & dança na azulejaria barroca portuguesa.
Lisboa, 2014.
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La tradición del azulejo en Portugal constituye uno de los rasgos más característicos de su cultura visual. Introducida a finales de la Edad Media bajo influencia hispanomusulmana, esta técnica cerámica adquirió un desarrollo propio a partir del siglo XVII, cuando los paneles narrativos en azul y blanco, inspirados en la porcelana china y en los grabados europeos, comenzaron a decorar palacios, iglesias y residencias urbanas. Durante el siglo XVIII la azulejería alcanzó una gran difusión y se convirtió en un medio idóneo para representar escenas de la vida cotidiana, episodios históricos o motivos galantes, combinando un lenguaje artístico refinado con una función ornamental.
El azulejo de la imagen, datable en la primera mitad del siglo XVIII, presenta la figura de una dama de clase alta que danza mientras toca castanholas. La composición es sencilla y frontal: la figura femenina aparece aislada en el centro del panel, vestida con un traje elegante de amplias mangas y falda larga, característico de la moda aristocrática de la época. El paisaje apenas insinuado del fondo refuerza el carácter escénico de la figura, que parece ocupar un espacio abierto destinado al ocio y al entretenimiento.
Resulta especialmente significativa la presencia de las castanholas, que la dama sostiene con naturalidad en ambas manos. Su inclusión sugiere que este instrumento no estaba restringido únicamente a contextos populares o festivos, sino que también formaba parte del repertorio lúdico de los ambientes acomodados. En la iconografía del siglo XVIII, la mujer tocando castanholas aparece con frecuencia asociada al baile y a la sociabilidad cortesana o burguesa, donde la música y la danza constituían elementos esenciales de la vida social.
